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Nas Terras das Brumas Ocultas

  • Foto do escritor: António Vilhena
    António Vilhena
  • 28 de jan. de 2025
  • 3 min de leitura



Nas Terras das Brumas Ocultas existiam diversos reinos. Não se sabe nem a origem e muito menos sobre o modelo de governança.

As fronteiras, bem delineadas e protegidas tanto serviam de proteção como de rota de fuga. Poder-se-ia até dizer que seria mudança.

Lá as palavras fuga, desvio, evasão tinham significados distintos dos nossos mesmo havendo – sempre há -  quem delas fizesse questão de usá-las nem que fosse para provocar e deixar nobres ilustres e bajuladores irritados ao ponto de perderem a compostura, própria de quem está ou se acha acima de ditames legais e de quem, quase sempre consegue benesses do sistema.

A mudança ou a vontade de fazê-la tinha várias origens.

Mesmo com o pacto de não agressão, apesar dos protocolos (sim, já existiam protocolos – talvez os nossos se originem de lá) de respeito para com o humano, suas raízes, suas culturas e tradições, e de tantos outros documentos devidamente assinados e possuidores do lacre comprovatório de sua autenticidade, nem todos se sentiam felizes, achando que talvez, quem sabe, do outro lado houvesse uma melhor escola, uma saúde mais cuidada, um emprego mais digno, uma maior facilidade no ir e vir, onde a rigidez nas proibições fosse mais atenuada e a demagogia e preconceito fossem menores, menos controversa em questões pragmáticas como dignidade, igualdade, religião, felicidade.

Há muito tempo as facilidades no casamento entre uns e outros (de um reino e de outro (s)) haviam desaparecido, levadas por crenças a cada dia ressuscitadas sobre álcool, fumo e uso de plantas relaxantes.

E, como tudo isso eram desejos já que nada se sabia de como realmente era o outro lado (na verdade – reino) os aflitos, deprimidos e ansiosos se juntavam, trocavam esperanças, faziam planos e depositavam sua fé em possibilidades concretas advindas: ou na desproteção da fronteira ou em mudanças no reino onde nasceram e seus pais e avós serviram, sol a sol, ao sistema e ao homem.

Todos os seres têm sua própria natureza. O homem não é exceção à regra e desde sempre, fez com que essa máxima fosse realidade. O desconhecido sempre buliu com sua imaginação e em todas as épocas fez questão de fincar bandeiras marcar presença.

Os livros da história relatam fatos, acontecimentos, revelam circunstâncias e dificuldades e nos transmitem sabedoria.

E, foi assim que através deles nosso mundo conheceu a existência das Terras das Brumas Ocultas.

E, foi assim que o mapa achado na lata cujo tempo não conseguiu corroer, indicava terras e limites, os rios e florestas, os montes e os vales e os nomes: Reino das Torres Azuis; Reino do Inverno Esmaecido; Reino das Gargantas Felizes e Reino dos Girassóis.

E, foi assim que nós soubemos de que naquele lugar e naquela época, há muitos e muitos anos, os reinos eram quatro, cada um governado por um rei. Dois eram filhos legítimos do Rei Azulai e da Rainha Arcádia; os outros dois eram filhos da rainha Arcádia quando de seu primeiro casamento. Não há relatos se quando desposou Azulai era viúva ou não, nem tão pouco a respeito do primeiro matrimônio.

O que as páginas amarelecidas e gastas pelo tempo falam é que os quatro reis filhos de uma mesma mãe tinham personalidades diferentes, visões de mundo antagônicas entendimentos sobre governança e governados contrários, mesmo que seus preletores tenham sido os mesmos.

O certo é, que todos eram reis, cercados por homens cujas virtudes eram postas à prova a miúde e que dela (a virtude) dependia ou não sua permanência na moradia destinada aos eleitos. A estranheza ou melhor a não estranheza é que, dependendo do reino, a permanência era constante já que a virtude condizia com os interesses do mandatário.

 
 
 

2 comentários


Marcelo Fernando Ramos
Marcelo Fernando Ramos
29 de jan. de 2025

E a Saga continua!

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Arnaldo Carvalho
Arnaldo Carvalho
29 de jan. de 2025

muito bom! que venha a história completa!

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